Metodologia
O que fazemos com os números, escrito antes de publicarmos o primeiro. Se um instituto discordar do peso que damos a ele, a resposta está aqui.
De onde vêm os dados
O cadastro de cada pesquisa — número de registro, instituto, contratante, período de campo, tamanho da amostra e metodologia — vem do dump diário do sistema PesqEle, publicado pelo TSE no Portal de Dados Abertos sob licença Creative Commons Atribuição.
O TSE não recebe e não publica os percentuais. Isso não é omissão do tribunal: o registro é anterior à divulgação, e a lei não pede resultado. Os percentuais vêm da íntegra publicada pelo instituto ou da transcrição da imprensa, sempre com o link da fonte ao lado da pesquisa, e só entram depois que número de registro, instituto, janela de campo e tamanho da amostra batem com o que o TSE cadastrou. Cenário cuja soma não fecha, ou com nome que não reconhecemos, fica de fora.
Quando a mesma pesquisa sai na íntegra do instituto e na imprensa, com a mesma lista de candidatos, vale o número da íntegra, e a transcrição do jornal é conferida contra ela, candidato a candidato. As duas fontes aparecem ao lado da pesquisa. A íntegra da Datafolha é baixada à mão pela redação — o site da Folha não permite a leitura automática desses PDFs — e passa pelos mesmos portões.
Sem a íntegra daquela lista, a conferência é entre jornais: lemos a Gazeta do Povo e o Poder360, e quando os dois transcrevem a mesma pesquisa os números são comparados candidato a candidato, no 1º turno e em cada duelo de 2º turno. Se escreverem números diferentes, a pesquisa sai do 1º turno daquela disputa — ou, no 2º turno, só daquele duelo — até ser conferida na fonte.
O TSE registra a pergunta de presidente com número nacional (BR) mesmo quando a amostra é de um estado só. Essas pesquisas — reconhecidas pelo registro estadual com o mesmo instituto, período e amostra, ou pelo plano amostral — não entram na média nacional.
Como a média é calculada
Média móvel ponderada por recência e por tamanho de amostra:
A referência de tempo de cada pesquisa é o ponto médio do campo, não o último dia: um levantamento de um dia e um de cinco encerrados na mesma data não mediram o mesmo instante.
A janela é de 45 dias, e não menos, por uma razão aritmética: com meia-vida de 10 dias, uma janela de 21 dias ainda daria 23% de peso à pesquisa que está saindo dela — e o gráfico saltaria até 1,3 ponto no dia em que ela saísse, sem nenhuma pesquisa nova. Com 45 dias esse peso cai para 4%.
Quando não exibimos média
Só publicamos média com pelo menos 3 pesquisas de 2 institutos diferentes na janela. Exigir apenas três pesquisas não filtraria nada — praticamente toda disputa estadual passa nesse corte —, e três pesquisas do mesmo instituto seriam a série daquele instituto com nome de média. Abaixo disso mostramos os pontos individuais, com aviso.
Depois de 15 de agosto, o prazo legal de registro de candidatura, só tem média de hoje quem registrou candidatura para aquele cargo. Quem foi testado antes e não registrou — ou registrou para outro cargo — tem a linha encerrada no prazo; as pesquisas em que apareceu continuam na página, como pontos.
Segundo turno
As pesquisas simulam confrontos de 2º turno: se a eleição fosse entre estes dois, em quem o eleitor votaria. Cada par é uma pergunta à parte. A média de um confronto sai só das pesquisas que testaram aquele par, com os mesmos pesos e os mesmos mínimos do 1º turno — 3 pesquisas de 2 institutos em 45 dias. Não existe “média de 2º turno” de um candidato juntando adversários diferentes.
Depois do 1º turno, de 04/10, a média do par que foi ao 2º turno recomeça do zero: só entram pesquisas feitas depois dele, com os mesmos pesos, e a média aparece desde a primeira. As pesquisas de 2º turno feitas até o 1º turno, quando o par ainda era hipotético, não aparecem mais.
Os números são os que o instituto divulgou, sobre o total de votos; o que falta para 100 é branco, nulo e indeciso, e aparece na barra de cada confronto. Pesquisa que divulga só os votos válidos forma um confronto à parte: as duas bases nunca entram na mesma média, porque a diferença entre elas passa da margem de erro. Na média do 2º turno, a dos válidos só aparece enquanto nenhuma pesquisa feita depois do 1º turno divulgou o total de votos. Aparecem os pares testados nos últimos 45 dias, com os dois nomes ainda na disputa.
Senado
Em 2026 cada estado elege dois senadores, e o eleitor tem dois votos — não há 2º turno. Os institutos publicam esse resultado de quatro formas: reduzido a 100% (a fatia de cada nome no total dos dois votos — a mesma escala do resultado oficial do TSE), a soma dos dois votos (até 200%, porque cada eleitor conta duas vezes), resposta múltipla (o entrevistado cita até dois nomes) ou o 1º e o 2º voto em duas tabelas, cada uma somando 100%, que nós somamos numa só. Publicamos sempre na primeira escala — a fatia de cada nome no total dos dois votos, somando 100% —, e convertemos as outras três dividindo por 2. O cartão de cada pesquisa mostra o número como o instituto publicou — ou, nas duas tabelas, a soma que fizemos — e, quando convertemos, a conta ao lado ("somava até 200%: 29,6 → 14,8" ou "1º + 2º voto: 36,8 → 18,4").
Só entra lista cuja convenção venha declarada no texto e cuja soma bata com essa convenção — nunca decidimos a escala só pela soma. A tabela de um voto só fica de fora: usada sozinha, o 1º voto pode inverter a ordem dos candidatos. As duas tabelas entram somadas quando trazem os mesmos nomes e cada uma fecha 100%, e só na pesquisa que não publicou a lista dos dois votos: havendo essa lista, vale ela.
No mapa do Senado, a cor é o partido do 1º colocado e o tom é a diferença entre o 2º e o 3º colocados — é ela que decide a 2ª vaga, já que os dois primeiros se elegem. Os dois à frente aparecem como "à frente nas duas vagas", nunca como "eleitos": a eleição ainda não aconteceu.
Os mapas
Nos mapas de governador, de Senado e de presidente nos estados, a cor de cada estado é o partido de quem lidera, e o tom é a vantagem em pontos: a diferença entre o 1º e o 2º colocados na média ou, no estado sem média, na última pesquisa (no Senado, entre o 2º e o 3º). São quatro tons, com cortes em 3, 10 e 20 pontos — menos de 3, de 3 a 9,9, de 10 a 19,9 e 20 ou mais —, e quanto mais apagada a cor, menor a vantagem. O tom não é chance de vitória: é só a diferença que as pesquisas mediram, a mesma que a caixa de cada estado mostra. A diferença é a conta dos dois números que a página mostra, com uma casa na média. Quando o 1º e o 2º têm o mesmo número, é empate, e o estado sai em cinza-claro, sem a cor de partido nenhum, nos três mapas. No Senado, o empate do 2º com o 3º não tira a cor: o estado fica com a do partido do 1º, no tom mais apagado. O estado que ainda não tem média, só a última pesquisa, leva contorno tracejado.
A faixa ao redor da linha
A faixa mostra a dispersão entre institutos, e nunca deve ser lida como margem de erro da média — ela não é. Usamos o desvio padrão ponderado dos pontos da janela, com piso, porque agregar não cancela erro correlacionado: quando vários institutos compartilham pressupostos, a média consolida o desvio em vez de anulá-lo.
Pesquisa contratada por quem disputa
Pesquisa paga por candidato, partido, coligação ou federação partidária não entra na média. Ela continua na página: aparece apagada no gráfico e na lista com o contratante e o aviso de que ficou fora. Não é house effect, é viés de encomenda.
Quem pagou vem da própria divulgação, que por lei tem de informar o contratante — o arquivo aberto do TSE não traz esse dado. Federação de indústria, confederação patronal, banco e veículo de imprensa não são quem disputa e continuam na média.
As cores do gráfico
Cor e traço servem para distinguir as linhas. Quem é quem vai sempre escrito: no rótulo direto na ponta de cada linha, no placar e na tabela — nenhuma informação do gráfico depende só de cor, e duas linhas de cor parecida se separam pelo traço (cheio, tracejado, pontilhado).
O verde da marca do MRT News não é usado em nenhuma linha do gráfico, de propósito: cor de marca em cima de um candidato se lê como endosso.
O que não fazemos
- Não convertemos intenção de voto em probabilidade de vitória.
- Não excluímos instituto por parecer enviesado, sem critério publicado.
- Não suavizamos o gráfico além do que a fórmula produz.
- Não misturamos cenários com composições diferentes de candidatos na mesma série.
Erros
Quando a fonte que lemos transcreve um número errado e a íntegra do instituto mostra o certo, corrigimos: a pesquisa ganha uma nota com o valor anterior e a fonte da correção, e a lista das correções fica em Sobre os dados. Se um número atribuído a um instituto estiver errado, fale com a redação pelo WhatsApp.